2009-10-01
De acordo com as estimativas do Fundo Monetário Internacional, divulgadas em 1 de Outubro, a economia portuguesa voltará a crescer já em 2010. Apesar disso, o Estado não deverá ainda retirar os apoios à economia, segundo afirmou o Ministro de Estado e das Finanças, à entrada para uma reunião de responsáveis da economia e das finanças da União Europeia, em Estocolmo.
«Não antevejo que, em 2010, possamos equacionar uma retirada dos apoios à economia», afirmou Teixeira dos Santos. Existem já «os primeiros sinais de alguma recuperação, mas temos de ter a certeza que este crescimento é sólido, sustentável e que se começa a reflectir no mercado de trabalho» antes de retirar os apoios criados pela Iniciativa para o Investimento e o Emprego.
Uma «retirada precipitada» destes apoios poderia ter como consequência que se «entrasse novamente num período da quebra de produção e de agravamento das condições do mercado de trabalho». «Temos de ser muito prudentes e cautelosos e só quando tivermos sinais firmes e seguros de que o crescimento é sustentado e de que o mercado de trabalho começa a melhorar, é que devemos tirar os apoios à economia e fazê-lo de forma faseada», acrescentou o Ministro.
As instituições financeiras internacionais têm sublinhado a importância de retirar os apoios apenas na altura certa: uma retirada demasiado cedo poderá comprometer a recuperação e provocar nova crise no sistema financeiro; uma retirada demasiado tardia poderá causar um crescimento da inflação.
Acerca das previsões do FMI, Fernando Teixeira dos Santos afirmou que «a novidade das previsões que o FMI hoje nos traz é uma significativa revisão em alta do crescimento. Em 2009, o crescimento será menos negativo: em Abril, a previsão [do FMI] era de um crescimento negativo de 4,1% e passou a ser de 3%, somente». «Há aqui uma melhoria: o crescimento é francamente menos negativo em 2009 do que aquilo que se previa em Abril».
Apontou também a revisão em alta, em 0,9 pontos percentuais, das previsões do FMI sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) português em 2010. «Para o próximo ano, a previsão do FMI em Abril era de uma quebra da produção de 0,5% e agora é positivo em 0,4. Portanto, esta também é uma mudança significativa para mais de 0,9 pontos», acrescentou.
Se estas previsões se verificarem, «em Portugal, o PIB vai decrescer menos do que na Europa». O World Economic Outlook («Perspectiva Económica Mundial»)do FMI, prevê que o crescimento da economia mundial seja de 3,1% em 2009 e que estabilize nos 4% até 2014, representando uma recuperação lenta, que tem impacto no desemprego. Para Portugal, o Fundo Monetário Internacional prevê uma taxa de desemprego de 9,5% no final de 2009 e de 11% em 2010 - mantendo as previsões de Abril.
O Ministro de Estado e das Finanças recordou que «o que temos sempre evidenciado é que é na frente do mercado de trabalho e em particular no emprego que temos de centrar as nossas preocupações», acrescentando que «a crise ainda não acabou, porque ainda se vai sentir no mercado de trabalho e, em particular, no desemprego». «Ainda vai demorar algum tempo para que este processo de recuperação que agora se começa sentir (...) possa inverter a situação do mercado de trabalho. Sempre foi assim», em todas as crises.
Os indicadores mais recentes do INE têm mostrado a inversão da tendência negativa. No mês de Setembro, o Indicador de Confiança dos Consumidores continuou o movimento de subida iniciado em Abril, o Indicador do Clima Económico manteve também o movimento ascendente iniciado em Maio, e a tendência de queda da produção industrial abrandou, depois de ter atingido o mínimo em Janeiro do ano corrente.